Este grupo étnico e linguístico tem sido designado pelos termos mais díspares: Mujau, Mujano, Hiao, Adjao, Mudsau, Mujoa, Wafayao, Ayawa, etc. Com o decorrer do tempo foi-se popularizando o nome Ajaua, embora a palavra mais correcta seja Iao.
Também entre eles se encontra a crença de se terem sobreposto a um povo de pigmeus, designado por N´lucuéne.
Segundo a tradição, o nome Iao proviria de uma montanha, atapetada com capim mas desprovida de arborização, que se situa algures entre Muembe e Lucheringo. Daí teriam partido segmentos matrilineares para ocupar outras montanhas, dando origem a subgrupos que passaram a ser conhecidos pelo respectivo nome geográfico: Amasaninga, Amachinga, Achisi, Amalambo, Uambemba, Amangoche, Uamecula, Uanjeze, Achimbango, Achingole.
A sua cultura não divergia grandemente da dos restantes povos matricêntricos que se dispersavam ao Norte do Zambeze. As mulheres praticavam uma agricultura mais intensiva do que a dos Macuas-Lómuès mas muito menos produtiva do que a dos Maraves. A menor contribuição dos varões para a produção agrária, a abundância de manadas de elefantes, a escassez em recursos salinos e a dispersão da população em povoações muito distanciadas entre si, encorajavam os homens a lançarem-se no intercâmbio comercial a longa distância, tanto interno como externo. Nascido da necessidade de manter a harmonia social durante a prolongada ausência de muitos varões, os Ajauas desenvolveram um sistema, invulgar entre povos matricêntricos, para salvaguardar a união do casal: os «fiadores do casamento», axinamangósue.
Segundo as tradições, a metalurgia do ferro foi introduzida e monopolizada por um clã específico, chisi, possivelmente imigrante. As actividades ambulatórias e mercantis destes peritos na fundição e fabricação de instrumentos de ferro vieram a envolver os Ajauas em contactos estreitos com o litoral.
Seja como for, os Ajauas souberam aproveitar com invulgar rapidez e eficiência as oportunidades oferecidas pela frequência da distante costa oriental por mercadores asiáticos e europeus. Baseado na comparação de informações, E/Alpers aventa o período 1590-1616 como o mais provável do início dos contactos comerciais de Ajauas com Quí- lua.
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